segunda-feira, 3 de junho de 2013

Melancolia

Era uma vez, um coelho envenenado, já destinado em um fim trágico, um fim mais dramático do que ser um fim.
Em seus últimos momentos, reparou o coelho em seu pelo, apreciou cada detalhe branco, e chorou, ali, pela última vez por seus pelos maltratados, sujos e manchados da vida. Respirou fundo, se olhou em seu espelho quebrado, e em um pequeno pedaço viu algo, que talvez fosse um sorriso, e antes de rir, abaixou sua cabeça, para lembrar que já não haveria espelhos quebrados, e muito menos inteiros.
Seus dentes, eram pequenos, muito pequenos, mas o coelho, lembrou o quanto já mastigou e foi feliz com seus defeitos. O coelho sabia que jamais foi o mais belo, tão pouco poderia ser o mais feio, estava naquele lugar, onde não chamava a atenção, ou quem sabe, por ser tão médio, chamava demais a atenção, o que não satisfaria mais saber qualquer verdade, com seu passado, o presente também amarelava de velho e não havia futuro.
Era uma vez um coelho envenenado, já destinado em um fim trágico, que hoje quase não respira.

"Já que tudo que eu podia eu fiz
Meu amor
Foi bom tentar
Foi por um triz"

Nenhum comentário:

Postar um comentário